Informações de Mercado

Características do setor de Veículos Rebocados

As primeiras indústrias do setor de veículos rebocados surgiram no início dos anos 50. Esse setor congrega mais de mil empresas de pequeno, médio e grande porte, predominantemente familiares, responsáveis pela fabricação de implementos rodoviários com diversas configurações e perfis.

Desde o início, as indústrias do setor de implementos rodoviários tiveram que fabricar os seus produtos observando as características da malha viária brasileira, que incluem estradas não pavimentadas ou em condições não-ideais de trafegabilidade.

O crescimento do setor primário, indústria, comércio e prestação de serviços impactam o desenvolvimento do setor de veículos rebocados.

A indústria de implementos rodoviários desenvolve produtos acessórios e complementares ao caminhão, dando-lhe uma função no transporte de cargas. Esta indústria produz veículos rebocados, nominadamente, reboques, semirreboques e superestruturas, e acessórios, como caçambas e carrocerias sobre chassi, eixos auxiliares e quinta-roda. A versatilidade desse setor industrial permite que se tenha todas as variedades de equipamentos, tanto sob o aspecto de dimensões, como especificações das mais sofisticadas, qualidade, durabilidade, etc.

O Brasil possui a quinta maior área territorial no mundo e conta com uma malha rodoviária de aproximadamente 1,75 milhões de quilômetros, a quarta maior do planeta em extensão, sendo também um dos mais importantes mercados automobilísticos do mundo, com uma frota de mais de 90 milhões de veículos, conforme detalhado na tabela abaixo.

Frota e porcentagem de veículos, por tipo – DEZ/2015

TIPO FROTA % DO TOTAL
AUTOMÓVEL 49.822.709 54,94%
CAMINHÃO 2.645.992 2,92%
CAMINHÃO TRATOR 593.892 0,65%
CAMINHONETE 6.588.813 7,27%
CAMIONETA 2.908.233 3,21%
MICROÔNIBUS 375.274 0,41%
MOTOCICLETA 20.216.193 22,29%
ÔNIBUS 590.657 0,65%
REBOQUE 1.296.184 1,43%
SEMI-REBOQUE 873.106 0,96%
OUTROS 4.775.883 5,27%
TOTAL 90.686.936 100%

Fonte dos Dados:
DENATRAN - Departamento Nacional de Trânsito, RENAVAM - Registro Nacional de Veículos Automotores

A matriz de transporte de cargas no Brasil é predominantemente rodoviária. Caminhões e implementos rodoviários são responsáveis por movimentar mais de 61% das mercadorias no país. O segundo modal mais importante é o ferroviário, que responde por 21% do total. Os restantes 18% são realizados através de outros modais, seja via área, hidroviária ou por dutos.

O gráfico abaixo mostra a distribuição do transporte por modal:

 

 

O setor de implementos rodoviários apresenta um nível tecnológico bastante heterogêneo. Há empresas que fabricam produtos de grande precisão e com alta tecnologia, assim como há aquelas que fabricam produtos que se caracterizam como commodities. O processo de horizontalização na produção de implementos vem sendo acentuado com a terceirização da produção de peças e componentes, o que assemelha as empresas do setor às montadoras de veículos.

As principais matérias-primas utilizadas pelas indústrias de implementos rodoviários advêm dos setores siderúrgico, metalúrgico, petroquímico (plásticos) e madeira, as quais são adquiridas principalmente no mercado interno.

As exportações de veículos rebocados ainda representam muito pouco no faturamento das empresas do setor. Este fato deve-se às características de customização que cada mercado exige em função das peculiaridades das legislações de cada país e às dificuldades logísticas associadas ao transporte dos implementos. Uma das alternativas encontradas pelas empresas do setor de implementos rodoviários para contornar o problema das características próprias que cada mercado demanda é a realização de exportações por meio do sistema de CKD. Os principais mercados externos das empresas brasileiras de implementos são o Mercosul, a África e o Oriente Médio.

Características da Indústria Ferroviária

As primeiras empresas da indústria de implementos ferroviários surgiram na década de 40. Esse setor pode ser considerado como um dos ramos mais antigos da indústria de bens de capital. Seu desenvolvimento vem acompanhando a evolução do sistema de transporte ferroviário brasileiro, que alternou oscilações entre altas taxas de crescimentos de sua capacidade instalada, com elevadas taxas de ociosidade.

Hoje, o cenário do transporte ferroviário no Brasil vem passando por grandes transformações, com a presença da iniciativa privada na exploração dos serviços de transportes, principalmente no transporte de cargas.

Embora a matriz de transporte brasileira seja predominantemente rodoviária, muitas empresas deste setor têm procurado diversificar suas fontes de receita, fornecendo soluções de transporte em outros modais.

O modal ferroviário caracteriza-se, especialmente, por sua capacidade de transportar grandes volumes, com elevada eficiência energética, principalmente em casos de deslocamentos a médias e grandes distâncias. Apresenta, ainda, maior segurança, em relação ao modal rodoviário, com menor índice de acidentes e menor incidência de furtos e roubos. As cargas transportadas por via férre são predominantemente minérios (75%) e grãos (15%) do total

Após a privatização das ferrovias iniciada na metade da década de 90, a maioria das concessões ferroviárias brasileiras ficou sob controle de quatro grupos:

  • VLI Multimodal S.A.;
  • Vale S.A.;
  • MRS Logística S.A.;
  • Rumo Logística Operador Multimodal S.A.

A volta dos investimentos no setor de transporte ferroviário provocou a reativação da indústria de implementos ferroviários, principalmente para suprir a crescente demanda por este tipo de transporte, por ter custos menores que o do modal rodoviário, e devido a aumentos das exportações, dos complexos siderúrgico, minerador e agrícola, que utilizam constantemente o transporte ferroviário para o embarque de suas mercadorias.

Mercado de Autopeças e Sistemas Automotivos

A década de 90 é um marco na indústria de autopeças nacional. A abertura do mercado automobilístico a automóveis importados gerou uma profunda reestruturação no setor, exigindo maior qualidade, treinamento de pessoal e planejamento da produção. Algumas empresas familiares optaram pela profissionalização da gestão ou joint ventures com parceiros internacionais, mas em muitos casos o processo culminou com a venda do controle para grupos estrangeiros.

Mais de 30 montadoras de veículos automotores estão presentes no Brasil. A indústria automobilística e o setor de autopeças foram pioneiros no processo de globalização da produção, isto é, de padronização internacional dos modelos e distribuição das operações de fabricação por vários países do mundo, minimizando custos e uniformizando qualidade.

A indústria automobilística também apresenta a tendência de terceirizar parte de sua produção para os fornecedores. Com isso, as montadoras buscam concentrar-se nas atividades mais estratégicas (projeto, montagem final, divulgação da marca) e delegar aos fornecedores o maior número de operações. Em função disso, os fabricantes de autopeças tornaram-se responsáveis não só por uma maior parcela das peças utilizadas nos automóveis, como também por operações de submontagem, fornecendo, ao invés de peças soltas, como era feito anteriormente, sistemas pré-montados agregando diversas peças. Isto leva a uma relação mais profunda e duradoura com a montadora, mas também provoca uma diminuição no número de fornecedores diretos da indústria automobilística.

A indústria brasileira de autopeças congrega cerca de 500 empresas, incluindo pequenas, médias e grandes empresas. Apesar do grande número de empresas existentes no setor, nos segmentos de peças de maior valor agregado (motores, câmbio e transmissão), existe um oligopólio de empresas dominando esses segmentos.

O desempenho do setor de autopeças é bastante influenciado pelo desempenho da indústria automobilística, que cada vez mais busca desenvolver-se no país, através da instalação de plantas locais. No mercado de reposição, existe forte correlação com o nível de atividade econômica.

As principais matérias-primas utilizadas pelas indústrias do setor de autopeças advêm dos setores siderúrgico, metalúrgico, petroquímico (plásticos), vidro, borracha, madeira e eletrônico e que são adquiridas em sua maior parte no mercado interno, com exceção dos insumos eletrônicos ou mecânicos de maior valor agregado, para os quais o Brasil ainda apresenta grande dependência de importações.

As vendas de autopeças ao mercado externo iniciaram-se por meio da exportação indireta, isto é, de veículos completos exportados pelas montadoras. Com o tempo, este processo criou um mercado externo de reposição. A exportação direta torna-se cada vez mais importante, constituindo-se num mercado mais estável para o setor de autopeças. O principal item das importações brasileiras de autopeças são partes de elevado conteúdo tecnológico.

A abertura para o mercado externo exigiu uma ênfase na qualidade, treinamento de pessoal e planejamento da produção. Em meados da década de 90 a indústria investiu quantias consideráveis para atualizar seu parque fabril.

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